sábado, 19 de junho de 2010

A PAUTA DO DESESPERO

Vendas de caminhões crescem 90% até maio; projeções do BNDES para investimentos já ultrapassam previsões pré-crise; vendas de cimento crescem 18% no ano; 9 fábricas cimento estão sendo construídas pela Votorantim para atender as obras do PAC e do setor habitacional; 39 shoppings centers estão em construção no país; 93% das categorias pesquisadas pelo Dieese tiveram aumento real de salário no ano passado... É sob esse arcabouço que deve ser analisada a desesperada tentativa da Folha de SP de dar vida a um natimorto enredo de arapongas & dossiês para atingir a candidatura Dilma Rousseff. A Folha, como se sabe, é aquele veículo que falsificou uma ficha policial contra a então ministra Dilma Rousseff em manipulação rudimentar de cola & xerox atestada por peritos da Unicamp. A pauta de dossiês & arapongas inclui-se nessa receita de remendos grosseiros adotada por uma redação que já não pode cobrir fatos políticos relevantes sem cometer um harakiri editorial. Silenciam os jornalistas da família Frias diante da acelerada voçoroca que corrói o chão da candidatura Serra, minada por disputas terminais para escolha do vice, que DEMOS reivindicam como condição para se manter na aliança, bem como diante da sangria desatada em Minas, o 2º colégio eleitoral do país, onde florescem diferentes modalidades de voto anti-serra (Dilmasia; Pimentésio...) , sem esquecer o derretimento do demotucano no 3º colégio eleitoral,o Rio, onde o namoro de Serra com o PV virou novela de traições & rupturas. O desespero da Folha é o mesmo que inspirou o script constrangedor da propaganda eleitoral antecipada do PSDB, no horário gratuito na última 5º feira. Aspas para um trecho síntese da narrativa ‘popular adotada pelo programa: ‘...Zé Serra é um sujeito simples, de bem com a vida, de bem com seu povo...' Em seguida, numa cena de rua, o próprio Serra confirma: "Como tudo com pão'.

(Carta Maior e o pulso da candidatura anti-Lula e anti-Dilma; 19-06)

Saramago nos eternos campos de caça


Ave, Saramago. Que não descanses em paz, mas que continues, na tua e na nossa memória, a luta pela boa literatura, a liberdade e um mundo com menos injustiças que este nosso.

Publicado originalmente no blog do Velho Mundo, da Rede Brasil Atual

José Saramago (1922 – 2010), que devia seu nome a uma erva cujas folhas têm vaga semelhança com as do espinafre, e a raiz com a de um pequeno nabo, comum em Portugal, rumou para a eternidade.

Onde estará? Tenho um palpite.

Os nativos do pampa, como os tehuelche e outros povos terminados em Che, tinham uma visão cosmogônica muito peculiar. Para eles o universo tinha o formato de uma foice, ou algo parecido. Havia a terra plana, que subia pelo Ande (assim no singular) até as geleiras e daí o céu. A Via-Láctea dos astrônomos continuava os cumes gelados, num novo pampa, só que estelar, e em direção à nossa Constelação do Cruzeiro do Sul. A cruz sideral era, na verdade, uma ema que sangrava, e as estrelas eram a esteira e as gotas do seu sangue. Para esse campo estelar iam os homens, que ficavam a eternidade na caça dessa ema pulsante.

E as mulheres? Essas, finalmente, descansavam, deitadas na terra, sem que ninguém as incomodasse.

Pois acho que Saramago deve ter partido para algum lugar assim, ou parecido. Talvez algum outro campo de caça dos povos africanos. Afinal, se em vida, ele partilhou das lutas pela liberdade desses e de outros povos, por que não iria compartilhar com eles a sua eternidade.

No seu último livro, Caim, esse personagem termina suas andanças cíclicas pelo espaço e tempo terrenos, depois de exterminar todos os tripulantes da Arca de Noé, numa querela interminável com Deus, que promete ser eterna. Sobre o vazio do mundo despovoado, e de uma criação abortada, os dois titãs, o que criava e descriava mundos e o que criava e descriava caminhos e descaminhos, se engalfinham numa luta de palavras que mostra, na verdade, que o mundo, se queremos lutar por sua melhora, deve estar em algum outro lugar. Aqui entre nós, talvez: esse parece ser o estro inspirador da literatura de Saramago e da herança que nos deixa.

Caim, confesso, não é dos meus preferidos. Esses são Memorial do Convento, Jangada de pedra, Ensaio sobre a cegueira, O Evangelho segundo Jesus Cristo. Mas li-o já antevendo nele uma espécie de testamento do escritor, de última palavra de um ateu convicto perseguido por imagens cristãs e religiosas também convictas. De certo modo isso é muito representativo dos mundos espirituais de muitos escritores portugueses que são a “esteira estelar” que acompanha Saramago em sua última e derradeira viagem pela e para a liberdade.

Não sei se Saramago estaria de acordo com essa minha visão, pondo-o em alguma outra eternidade. Mas se por acaso ele lá estiver, tenho a certeza (para homenagear o modo de falar português) de que ele já estará escrevendo histórias para seus companheiros de caça, para acordar as mulheres de seu merecido mas quieto sono, tentando convencê-los a deixar os céus para a Ema Sagrada, para parar de importuná-la, e para descerem de novo à terra e lutarem pelo “reino deste mundo”, que é título de um romance de Carpentier sobre o Haiti. País para quem ele doou a renda de um de seus últimos livros.

Ave, Saramago. Que não descanses em paz, mas que continues, na tua e na nossa memória, a luta pela boa literatura, a liberdade e um mundo com menos injustiças que este nosso.


Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Não verás Lula nenhum


Do blog Brasília, eu vi (Leandro Fortes)

Em linhas gerais, Luís Fernando Veríssimo disse, em artigo recente, que as gerações futuras de historiadores terão enorme dificuldade para compreender a razão de, no presente que se apresenta, um presidente da República tão popular como Luiz Inácio Lula da Silva ser alvo de uma campanha permanente de oposição e desconstrução por parte da mídia brasileira. Em suma, Veríssimo colocou em perspectiva histórica uma questão que, distante no tempo, contará com a vantagem de poder ser discutida a frio, mas nem por isso deixará de ser, talvez, o ponto de análise mais intrigante da vida política do Brasil da primeira década do século XXI.

A reação da velha mídia nativa ao acordo nuclear do Irã, costurado pelas diplomacias brasileira e turca chega a ser cômica, mas revela, antes de tudo, o despreparo da classe dirigente brasileira em interpretar a força histórica do momento e suas conseqüências para a consolidação daquilo que se anuncia, finalmente, como civilização brasileira.

O claro ressentimento da velha guarda midiática com o sucesso de Lula e do ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, deixou de ser um fenômeno de ocasião, até então norteado por opções ideológicas, para descambar na inveja pura, quando não naquilo que sempre foi: um ódio de classe cada vez menos disfarçado, fruto de uma incompreensão histórica que só pode ser justificada pelo distanciamento dos donos da mídia em relação ao mundo real, e da disponib ilidade quase infinita de seus jornalistas para fazer, literalmente, qualquer trabalho que lhe mandarem os chefes e patrões, na vã esperança de um dia ser igual a eles.

Assim, enquanto a imprensa mundial se dedica a decodificar as engrenagens e circunstâncias que fizeram de Lula o mais importante líder mundial desse final de década, a imprensa brasileira se debate em como destituí-lo de toda glória, de reduzí-lo a um analfabeto funcional premiado pela sorte, a um manipulador de massas movido por programas de bolsas e incentivos, a um demagogo de fala mansa que esconde pretensões autoritárias disfarçadas, aqui e ali, de boas intenções populares. Tenta, portanto, converter a verdade atual em mentiras de registro, como se fosse possível enganar o futuro com notícias de jornal.

Destituídos de poder e credibilidade, os barões dessa mídia decadente e anciã se lançaram nessa missão suicida quando poderiam, simplesmente, ter se dedicado a fazer bom jornalismo, crítico e construtivo. Têm dinheiro e pessoal qualificado para tal. Ao invés disso, dedicaram-se a escrever para si mesmos, a se retroalimentar de preconceitos e maledicências, a pintarem o mundo a partir da imagem projetada pela classe média brasileira, uma gente quase que integralmente iletrada e apavorada, um exército de reginas duartes prestes a ter um ataque de nervos toda vez que um negro é admitido na universidade por meio de uma cota racial.

Ainda assim, paradoxalmente, uma massa beneficiada pelo crescimento econômico, mas escrava da própria indigência intelectual.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Para estufar este filó

“Chéri à Paris”, por Daniel Cariello | Foto: Mauro Cardoso

Um dia, o telefone toca.

- Daniel, vai fazer o quê quarta-feira que vem, ali pelas três da tarde?

Como todo cara que tem tempo livre à beça, sempre acho que não tenho nenhum.

- Putz, tenho dentista.
- Mas você tinha me falado que o dentista era na sexta.
- Pois é, mas na quarta já começa a preparação espiritual, sabe?
- Bom, então tá. Vou arrumar outra pessoa pra pelada com o Chico Buarque.

Deu um “tchuns” na minha cabeça, seguindo de um “tchans” e de um “ziriguidum”. Achei que tava ficando doido.

- Cumequié? Futebol com o Chico Buarque?
- Isso, aquela pelada que tinha te falado. Tem uma vaga sobrando. Mas vou ligar pro…
- Vai ligar pra ninguém coisa nenhuma. Quarta-feira tô lá.

E só aí me lembrei, havia bem uns oito anos que não chutava uma bola. Desde que o Felipão cometera duas injustiças, e não convocara o Romário e eu para a Copa de 2002. Ali decidi pendurar o Kichute e tentar esportes menos frustrantes, como corrida de pombos e arremesso de atum.

Pois bem. Na quarta-feira, no bat-local e na bat-hora marcados, já havia algumas pessoas, mas nada do Chico. Deve chegar de helicóptero, tipo o Papai Noel no Maracanã, pensei. Ou então com batedores da polícia abrindo caminho, ou de barco pelo… No meio do meu devaneio, alguém me cutuca e apresenta um sujeito de short e chuteira, pronto pro jogo.

- Daniel Cariello, Chico Buarque. Chico Buarque, Daniel Cariello.

Eu havia pensado em várias coisas para dizer nesse momento, imaginado todas as possibilidades. Tinha preparado piadas, frases inteligentes, postura blasé, citações de Platão e o escambau. Uma delas, a boa, seria acionada na hora das apresentações. Só não havia previsto o imprevisto. E acabei dizendo a coisa mais estúpida.

- Chico Buarque? Acho que já ouvi falar…

Que imbecil eu sou, falei pra mim mesmo. Cretino, cretino!

Enquanto me recuperava, as equipes foram divididas, seis de cada lado, e ficamos em times opostos. Logo alguém passa a bola para o Chico, que vem em minha direção.

- Vai lá, Daniel.
- Eu? E faço o quê?
- Marca em cima.
- Uai, e pode?

Podia. E fui. Tomei a bola.

- Desculpa, foi sem querer.

Não sei se era perseguição pelas idiotices que eu havia falado, mas ele vinha atacando sempre pelo meu lado. Ou seja, eu precisava marcá-lo, era minha tarefa. E se eu fizesse uma entrada mais dura? Já imaginava as manchetes dos jornais – todos os jornais – do dia seguinte: “Campeão mundial da idiotice quebra Chico Buarque em partida de futebol. Músico nunca mais poderá tocar violão”.

- Ei, vamos trocar. Você fica na direita e eu na esquerda. Jogo melhor pelo lado de lá. – Propus a um companheiro de equipe, mentindo descaradamente, pois jogo igual, igualmente mal, em qualquer posição.

Imaginando que a partida não duraria mais do que 30 ou 40 minutos, dei pra correr tudo o que podia. Alguns elogiaram minha capacidade de me desmarcar, mas mal sabem eles que fugia era da bola. E ela, teimosamente, sempre acabava nos meus pés. Acabava mesmo, pois qualquer possibilidade de jogada morria ali.

Mas aí passa uma hora, uma hora e vinte, e nem sinal do fim do jogo. E enquanto Chico Buarque deslizava feito uma gazela, eu não tinha mais força nem pra ficar em pé. Mas apesar de mim o placar nos era favorável: 5 x 4.

- Quando termina? – Perguntei.
- Quando a gente estiver ganhando – Alguém do outro time respondeu.

Achei o critério justo. E juntei as últimas energias para “dar o melhor de si e ajudar a equipe”. A equipe deles, no caso. E logo em seguida Chico marcou o gol de empate.

- Bom, vamos parar, né? – Ele mesmo sugeriu. E ninguém discordou.

Pronto! A invencibilidade do Paristheama, a filial francesa do Politheama, estava assegurada. Se a minha vaga na pelada também estiver, vou fazer sempre o meu melhor para isso se manter. Não importa em que equipe jogue.


Daniel Cariello
, editor de Brazuca e co-autor da entrevista, é colaborador regular da Biblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um pouco da Poesia de Ferreira Gullar

Dentro da noite veloz

"(...)
Ernesto Che Guevara
teu fim está perto
não basta estar certo
pra vencer a batalha

Ernesto Che Guevara
entrega-te à prisão
não basta ter razão
pra não morrer à bala

Ernesto Che Guevara
não estejas iludido
a bala entra em teu corpo
como em qualquer bandido

Ernesto Che Guevara
porque lutas ainda?
A batalha está finda
antes que o dia acabe

Ernesto Che Guevara
é chegada a tua hora
e o povo ignora
se por ele lutavas
(...)"

segunda-feira, 12 de abril de 2010

CHERINI - AVATAR - É não ter o que fazer




“Todo político devia fazer o avatar”

por Marco Aurélio Weissheimer

Como já é sabido, o presidente da Assembléia, deputado Giovani Cherini (PDT) foi para a Bahia fazer um curso de mago, ou de avatar, como ele explica. Vai ficar uma semana lá. Tudo pago do próprio bolso, esclarece o quase mago Cherini. Pelo twitter, o deputado vai relatando sua experiência mística na Bahia: “Todo o político deveria estar aqui fazendo o Avatar um dos grandes trabalhos é sobre a Honestidade. O compromisso de nunca ser corrupto”. Quando a oposição tentava arrumar assinaturas para instalar a CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa, Cherini deu uma entrevista à rádio Gaúcha dizendo que não ia assinar pois era holístico e não gostava “desse negócio de CPI”. O negócio de Cherini, agora se sabe, é o avatar. Ele esclarece: “Uma coisa é religião outra é a religiosidade. Eu faço as duas coisas”.

Na Bahia, entre outros aprendizados, diz hoje o Painel da Folha de S.Paulo, Cherini terá aulas de “transmutação da consciência”, o que lhe permitirá “estar em vários lugares ao mesmo tempo”. Imaginem. Caso seja um bom aluno, Cherini pode estar fazendo um curso de magia em Salvador e, ao mesmo tempo, caminhando descontraído pela Azenha, olhando a vitrine de alguma ferragem ou contemplando os cartazes nos postes.

O Parlamento gaúcho entra em nova fase. Avatares nos corredores. Magia no ar. De certo modo, personifica bem o estado das coisas na Província de São Pedro.

domingo, 4 de abril de 2010

Jorge Furtado: a antiga imprensa, enfim, assume partido


Finalmente a antiga imprensa brasileira assumiu que virou um partido político. O anúncio foi feito pela presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva da Folha de S.Paulo, Maria Judith Brito: "Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposiciobista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada". A presidente da associação/partido não questiona a moralidade de seus filiados assumirem a “posição oposicionista deste país” enquanto, aos seus leitores, alegam praticar jornalismo. O artigo é de Jorge Furtado

Artigo publicado no blog de Jorge Furtado/Casa de Cinema de Porto Alegre

Quem estava prestando atenção já percebeu faz tempo: a antiga imprensa brasileira virou um partido político, incorporando as sessões paulistas do PSDB (Serra) e do PMDB (Quércia), e o DEM (ex-PFL, ex-Arena).

A boa novidade é que finalmente eles admitiram ser o que são, através das palavras sinceras de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva do jornal Folha de S. Paulo, em declaração ao jornal O Globo:

“Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

A presidente da Associação Nacional dos Jornais constata, como ela mesma assinala, o óbvio: seus associados “estão fazendo de fato a posição oposicionista (sic) deste país”. Por que agem assim? Porque “a oposição está profundamente fragilizada”.

A presidente da associação/partido não esclarece porque a oposição “deste país” estaria “profundamente fragilizada”, apesar de ter, como ela mesma reconhece, o irrestrito apoio dos seus associados (os jornais).

A presidente da associação/partido não questiona a moralidade de seus filiados assumirem a “posição oposicionista deste país” enquanto, aos seus leitores, alegam praticar jornalismo. Também não questiona o fato de serem a oposição ao governo “deste país” mas não aos governos do seu estado (São Paulo).

Propriedades privadas, gozando de muitas isenções de impostos para que possam melhor prestar um serviço público fundamental, o de informar a sociedade com a liberdade e o equilíbrio que o bom jornalismo exige, os jornais proclamam-se um partido, isto é, uma “organização social que se fundamenta numa concepção política ou em interesses políticos e sociais comuns e que se propõe alcançar o poder”.

O partido da imprensa se propõe a alcançar o poder com o seu candidato, José Serra. Trata-se, na verdade, de uma retomada: Serra, FHC e seu partido, a imprensa, estiveram no poder por oito anos. Deixaram o governo com desemprego, juros, dívida pública, inflação e carga tributária em alta, crescimento econômico pífio e índices muito baixos de aprovação popular. No governo do partido da imprensa, a criminosa desigualdade social brasileira permaneceu inalterada e os índices de criminalidade (homicídios) tiveram forte crescimento,

O partido da imprensa assumiu a “posição oposicionista” a um governo que hoje conta com enorme aprovação popular. A comparação de desempenho entre os governos do Partido dos Trabalhadores (Lula, Dilma) e do partido da imprensa (FHC, Serra), é extraordinariamente favorável ao primeiro: não há um único índice social ou econômico em que o governo Lula (Dilma) não seja muito superior ao governo FHC (Serra), a lista desta comparação chega a ser enfadonha
Serra é, portanto, o candidato do partido da imprensa, que reúne os interesses da direita brasileira e faz oposição ao governo Lula. Dilma é a candidata da situação, da esquerda, representando vários partidos, defendendo a continuidade do governo Lula.

Agora que tudo ficou bem claro, você pode continuar (ou não) lendo seu jornal, sabendo que ele trabalha explicitamente a favor de uma candidatura e de um partido que, como todo partido, almeja o poder.

X

Annita Dunn, diretora de Comunicações da Casa Branca, à rede de televisão CNN e aos repórteres do The New York Times:

"A rede Fox News opera, praticamente, ou como o setor de pesquisas ou como o setor de comunicações do Partido Republicano" (...) "não precisamos fingir que [a Fox] seria empresa comercial de comunicações do mesmo tipo que a CNN. A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico. Quando o presidente [Barack Obama] fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição."